Já ouvimos muito sobre a capacidade da internet de unir as pessoas, mas um caso especial fica para os Furries. O termo “furry” (plural “furries”), deriva de “fur”, ou “pelagem” e se refere a personagens ficcionais, animais antropomórficos (“de forma humana, ou com características humanas”) que podem falar, andam em duas patas e tem expressões, pensamentos e personalidades como as nossas.
Mundialmente, o interesse por furries reúne pessoas em grupos, convenções e na internet, focando-se principalmente na criação artística, especialmente com ilustrações e histórias envolvendo os personagens (assim como animais “normais”), porém passando também por games, vídeos e role-playing (tipo de jogo ou interação em que os usuários assumem o papel de um personagem, de maneira parcial ou totalmente imersiva). Aqueles que compartilham dessa cultura são geralmente identificados como “furries”, assim como os personagens, porém o coletivo de fãs como comunidade (ou “fandom”), assim como suas criações e objetos de interesse é identificado como “Furry fandom”, entre outros nomes popularmente usados como “furrydom”, “fur fandom” ou “furdom”.
As raízes do movimento são vagas, e de acordo com certas fontes derivam de inspirações que começaram nos anos 1960 e 1970. Porém é fato que foram só nos anos 1980, principalmente nos EUA, que o movimento ganhou força (e nome), em especial com a primeira convenção do gênero, em 1987.
Mas diferente de outros movimentos considerados “nerds”, o que destaca os Furries é a força que ganharam com a difusão pela internet. O primeiro grande passo foi o newsgroup alt.fan.furry, em novembro de 1990, que do “underground” criou uma comunidade online sólida. O interessante aqui é observar que, em vez de grupos gigantescos, os furries se unem em pequenos núcleos, com sites centralizadores esparsos, ou séries de criadores solitários conectados. O uso de fórums foi e é vital para a sobrevivência do grupo, tendência derivada do uso de MUCKs, tipo de plataformas online utilizadas para chat e role-playing.
Hoje, sites como Fur Affinity (FA) e VCL reúnem grande número de artistas de todo o mundo em tipos de DeviantArt para furries. Os personagens também já foram adotados por quadrinhos, principalmente webcomics. Atualmente, uma das comunidades mais populares (e menos ocultas) fica no MMO Furcadia, que mistura o estilo dos MUCKs com gráficos 2D, gerando um espaço para interação entre furries de todo o mundo, assim como (e principalmente) roleplaying.
Para alguns furries, a “brincadeira” vai além. Enquanto o Fandom aborda criações e discussões nesse respeito, existem aqueles que tomam o interesse como estilo de vida. Existe o caso de discussões dentro da comunidade sobre definições específicas, tanto que Tiger Den, os responsáveis pelo Tiger MUCK, tradicional na comunidade e herdeiros do alt.fan.furry, criaram definições para acabar com todas as dúvidas.
Além de definir os furries como personagens ou no sentido de fandom, também apresentam uma terceira definição: “Uma pessoa com uma conexão emocional/espiritual importante com um animal ou animais, reais, ficionais ou simbólicos.” Aqui, os interesses passam por biologia, xamanismo (espírito animal) ou simplesmente estética, e tudo é discutido pelos mais aficionados.
Alguns, seja para roleplay, convenções ou para diversão, adotam o fursuiting, ou seja, confecção e uso de fantasias completas ou parciais de seus personagens, prática que movimenta um mercado próprio. Aqui entra um ponto que a internet prejudicou o movimento Furry – ao possibilitar a difusão e crescimento, também facilitou o ódio ao grupo, bem destoante de outras subculturas. Pela própria fragmentação de seu conteúdo, muitos tem idéias errôneas a seu respeito.
Parte dos motivos vem das próprias criações do gênero. Como em outras subculturas, o elemento sexual não deixa de existir na arte e comportamento. Mesmo espaços para roleplaying como Furcadia possuem áreas restritas para interações com temas adultos e sexo (ou, nos termos do grupo “yiff”) virtual. Em muitos casos, criações do tipo acabam sendo criticadas e até banidas mesmo dentro da comunidade, porém para pessoas fora do grupo, a aparência final é de que produções do tipo predominam, gerando ódio ao furries. As acusações vão desde críticas a fursuiters ou aos conceitos furries, até acusações infundadas de zoofilia (!?).
Mesmo tendo que nadar contra a maré, os Furries prevalescem contra o ódio, tanto que nos últimos anos o movimento também tem crescido no Brasil, ganhando espaço em convenções de anime e quadrinhos como a Animecon e Anime Friends. Além, de, claro, a comunidade online por sites como Fauna Urbana, FurryBrasil e WikiFur, entre outros menores.
Fonte:http://www.pop.com.br