O Tecnoguia testou o iPad, o badalado “tablet” lançado pela Apple nos Estados Unidos no início deste mês
Antes de ter o novo lançamento da Apple, o “iPad”, nas mãos, a pergunta que se pode fazer é: “por que eu precisaria de um PC portátil sem teclado, sem entrada USB e que roda apenas um programa por vez?”. Mas os primeiros momentos com o aparelho nas mãos, com tempo para explorar suas características, podem fazê-lo mudar de ideia. Foi isso o que aconteceu ao acompanharmos as notícias do seu lançamento tão badalado nos EUA e, em pouco tempo, termos à mão a versão do aparelho de 16GB – cedido para testes pela Computer Store, revenda da Apple em Fortaleza. Dois dias depois, a experiência se repetiu com o modelo de 32GB, que chegou à redação do Diário cedido pela loja Ibyte.
A resposta para os questionamentos antecipados sobre a utilidade do iPad começa pelo fato de que ele não é um PC que se enquadra na categoria de netbooks ou handhelds, tampouco na seara dos notebooks. Foi por compará-lo erroneamente a estes equipamentos que muita gente enxergou mais limitações do que qualidades no novo lançamento da Apple.
Chegando ao mercado com toda a pompa que envolve os lançamentos da Apple, o iPad se tornou (pelo menos por enquanto) o melhor representante da categoria dos “tablets”. Esse segmento de dispositivos portáteis que se resumem em uma tela sensível ao toque não é nenhuma novidade, mas o iPad chamou para si o papel de mostrar seu verdadeiro potencial. Tanto que, a partir de agora, não faltarão lançamentos de produtos semelhantes – o da HP é um dos mais aguardados -, até mesmo explorando os recursos nos quais o tablet de Steve Jobs deixou a desejar.
Sem ritual
Aparelhos desse tipo não substituem o computador como ferramenta de produtividade, nem para o internauta que passa horas conversando com os amigos no Messenger ou em redes sociais. Ele bem que serve para responder um e-mail, deixar um recado no Orkut e disparar um ou outro comentário no Twitter. O que ele é mesmo é um ótimo dispositivo de leitura de conteúdo digital. Ele mostra a que veio no acesso ao conteúdo da internet, jornais, revistas, livros, além de músicas, fotografias e filmes online. Tudo está lá, ao alcance dos seus dedos, que podem passar páginas, ampliar imagens, abrir links e, enfim, navegar na web sem o ritual de estar sentado à frente de um computador.
O conforto e a praticidade para levar o acesso à informação online do sofá na sala para a rede na varanda é um dos pontos fortes do iPad. Nada de ligar o aparelho e esperar o sistema iniciar para acessar a internet. Basta apertar um botão e o dispositivo está ativo, com os ícones de seus aplicativos à espera do toque do seu dedo para exercer suas funções. O sistema é bastante intuitivo. O usuário não precisa se preocupar com pastas ou arquivos.
A instalação de programas é feita de forma simples, com a ajuda do programa iTunes e sua loja de aplicativos online (App Store). Quando conectado ao PC, o iPad entra em sincronia e o usuário também tem a oportunidade de rechear o tablet com suas músicas, fotos e filmes.
A navegação na internet é rápida, com o acesso através do navegador Safari. Testado numa conexão WiFi com 1 Mbps, o acesso às páginas de todos os sites testados foi ágil e instantâneo. No acesso ao conteúdo, onde antes havia uma barra de rolagem acionada pelo mouse, basta agora passar o dedo para jogar o texto para cima ou para baixo. Porém, uma grande desvantagem é que a versão do Safari utilizada no iPad não abre conteúdo de sites que utilizam a tecnologia Flash, da Adobe.
E o Kindle?
Como leitor de livros digitais, o iPad é tão bom quanto o Kindle, o leitor da Amazon. Como a Amazon criou um aplicativo para o aparelho da Apple, a disponibilidade de livros para os dois dispositivos é a mesma. A diferença fica na tela: a do iPad é colorida e iluminada – o que permite a leitura mesmo no escuro – e a do Kindle não tem luminosidade – o que pode ser visto como uma vantagem, pois não agride a visão. Esta característica permite que a bateria do Kindle dure mais de uma semana. Mas, no auge da sua luminosidade, a bateria do iPad surpreende com uma duração de mais de dez horas de uso ininterrupto.
“Na App Store, já foram efetuados mais de 600 mil downloads de livros eletrônicos e mais de 3,5 milhões de aplicativos para o iPad”, destaca Marcus Meneses, diretor comercial da Computer Store. Para quem gosta de ler, o aplicativo iBooks traz um visual encantador. Ele mostra as capas dos livros numa estante virtual e o usuário pode folhear as páginas com a ponta do dedo. Outro aplicativo, da Marvel, põe as histórias em quadrinhos na tela do iPad. As cores vibrantes do Homem-Aranha e companhia dão o tom da variedade de conteúdo que pode pintar na telinha de 9,7 polegadas desse novo sonho de consumo.
O QUE MAIS?
PREÇO: O iPad com conexão WiFi está à venda nos EUA por US$ 499 (versão de 16GB), US$ 599 (32GB) e US$ 699 (64GB). As versões com WiFi e 3G, ainda não lançadas, serão vendidas por US$ 629, US$ 729 e US$ 829.
no brasil: Ainda não há previsão de preço e data de lançamento oficial no Brasil. Com os altos impostos brasileiros, não espere pagar menos que R$ 2 mil pelo produto. Devido à forte demanda nos EUA, a Apple adiou o lançamento internacional até o fim de maio.
Pontos críticos: Não tem câmera, não é multitarefa, não tem porta USB e não roda sites com Flash.
Promessas: No dia 8 de abril, Steven Jobs apresentou o novo sistema operacional iPhone 4.0 que vai possibilitar o processamento multitarefa. Espera-se que a novidade também se estenda para o iPad,
hardware: O iPad vem com um processador batizado de Apple A4, de 1 GHz, que dizem ser um ARM Cortex-A8.
software: Os aplicativos são instalados somente através da loja online App Store. Já são mais de 150 mil programas disponíveis, alguns deles gratuitos.
jogos: O iPad também agrada os amantes de jogos. Uma semana depois do lançamento, a biblioteca do aparelho na App Store já contava com mais de 830 games disponíveis.
Fonte:http://diariodonordeste.globo.com